Eu sei que o assunto já está cansando e muito já foi dito, mas vira e mexe a foto volta na minha cabeça. E ontem, durante a insônia, pensei: e se fosse o contrário, Maluf aparecesse sorrindo ao lado de Serra e Alckmin.
Já imaginaram? O anúncio de Erundina como vice na sexta, dia 15. Tudo bem, ela está sendo endeusada agora e já cometeu erros político - como não apoiar Marta Suplicy no segundo turno em 2004. Mas a figura de Erundina remete ao povo nordestino forte, guerreiro e perseverante. A figura "intelectual e burguesa" de Haddad estaria complementada pela roupagem popular, pelo compromisso com os excluídos e marginalizados da sociedade.
Na segunda, dia 18, a foto: Maluf, Serra e Alckimin. A união perfeita entre o conservadorismo político/religioso com a plutocracia corrupta. A direita forte e unida, celebrando sua condição numa casa milionária nos jardins.
Não daria um ânimo para militância? Não daria gana para derrotar o inimigo - visível e estabelecido - no berço conservador e tucano da capital paulista?
Mas não, a realidade é outra. Ficamos com um minuto e meio a mais na TV, e a vergonha de uma foto para sempre.
sábado, 23 de junho de 2012
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Carta-compromisso para candidatos a prefeito de Campinas
Caso concorde, mandar no e-mail vggarcia30@gmail.com o nome completo e forma pela qual quer ser apresentado no documento. Adesões até 30 de Junho.
Carta-Compromisso pela Inclusão Social das
Pessoas com Deficiência em Campinas
As pessoas e
organizações abaixo assinadas defendem que a ação do Poder Público nas
áreas de atenção e de garantia dos direitos das pessoas com deficiência no
município deve ser qualificada e ter a participação das suas diversas
instâncias de representação. Para tanto, sugerem que o seguinte compromisso
seja firmado:
·
Valorização
do Conselho Municipal dos Direitos das
Pessoas com Deficiência (CMPD) como instância de controle social, por meio
de representação ativa e qualificada do Poder Público, bem como oferta de
capacitação sistemática para todos os conselheiros;
·
Fortalecimento, de fato, da Coordenadoria de Políticas Públicas de atenção às Pessoas com
Deficiência como órgão inter-setorial de coordenação e planejamento, preferencialmente
vinculada ao gabinete do Prefeito. Escolha democrática e com a participação do
movimento social dos responsáveis pelo trabalho desta Coordenadoria;
·
Revisão, aperfeiçoamento e visibilidade das ações
da Comissão Permanente de Acessibilidade
(CPA) para que este colegiado
funcione, na prática cotidiana, como promotor e fiscalizador da acessibilidade
no município, preferencialmente vinculado à Secretaria de Planejamento. Cabe
também a este órgão, em parceria com as demais instâncias de representação,
propor um plano municipal de acessibilidade, identificando problemas e
sugerindo soluções;
·
Redefinição do papel do Centro de Referência da Pessoa com Deficiência (CRPD) no sentido de
considerar as novas diretrizes de Assistência Social (pasta onde foi criado
este serviço), levando-se em conta a instituição da Coordenadoria de Políticas
Públicas de atenção às Pessoas com Deficiência.
Nos campo das políticas públicas específicas, sempre
garantindo a participação social no planejamento, execução e controle, e tendo
como referência fundamental a Convenção
sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (Decreto Federal 6.949/09),
sugerimos as seguintes ações nas respectivas áreas:
1 – Planejamento
e Acessibilidade:
-
realizar mapeamento da acessibilidade na rede pública de ensino e de saúde
identificando barreiras arquitetônicas, atitudinais, de comunicação e inadequação
da infraestrutura dos ambientes e equipamentos;
-
cumprir o disposto no Decreto Federal 5.296/04 com o oferta de uma frota 100%
acessível de ônibus no transporte público até o final de 2014;
-
adequação da acessibilidade nos serviços e nos espaços de uso público, garantindo
assim plenas possibilidades de participação das pessoas com deficiência nas
atividades e ações a serem realizadas pelo poder público ou pela iniciativa
privada.
2 – Educação
- oferta do serviço
de transporte escolar acessível;
- disponibilização de
profissionais habilitados para o atendimento dos alunos com deficiência na rede
pública de ensino nas diversas áreas e para todas as deficiências;
- efetivo cumprimento
das políticas de educação inclusiva, com oferta de serviços de apoio como sala
de recursos para deficientes visuais, intérprete de Libras (respeitando o
Decreto Federal 5.625/05) e outros recursos necessários;
- fomentar a educação
sob ótica dos direitos humanos, diversidade e cidadania, promovendo, por
exemplo, discussões acerca da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência na rede regular de ensino;
- em parceria com
outras secretariais e mediante convênios com entidades certificadoras,
desenvolver cursos de formação e capacitação para cuidadores/atendentes de
pessoas com deficiência.
3 –Saúde
- disponibilização
nos postos de saúde de medicação e material adequado e de qualidade para o uso
das pessoas com deficiência;
- garantir
acessibilidade predial, de equipamentos, tecnologia e comunicação em 100% das
unidades de saúde do município;
-divulgação das ações
da Câmara Técnica de Reabilitação;
- fortalecimento do Centro de Referência e Reabilitação (CRR)
em Sousas como unidade de atendimento e reabilitação das pessoas com
deficiência. Garantia da construção, no CRR-Souzas, da oficina própria de órteses
e próteses – OPM, inclusive com a contratação de recursos humanos;
-criação de uma
unidade de atendimento para crianças e adolescentes com alto grau de
dependência;
- instituir política
pública municipal de atendimento em domicílio para pessoas com deficiência;
-ampliação das ações
do Centro de Desenvolvimento Infantil (CDI) – Fênix, como o início da “linha de
cuidado da criança de risco”;
- desenvolver de
forma permanente ações de prevenção às deficiências;
- oferecer serviços
de fisioterapia, terapia ocupacional e psicologia nos postos de saúde, descentralizando
assim os programas públicos de reabilitação.
4 –
Transporte
- ampliação da capacidade de atendimento do
sistema PAI-Serviço;
- promoção de campanhas
de conscientização e intensificar a fiscalização quanto ao uso de vagas
reservadas de estacionamento para pessoas com deficiência;
- introdução de
recursos de acessibilidade voltados para pessoas com deficiência visual, como
equipamentos sonoros que informam sobre linhas e itinerários do transporte
coletivo;
- instalação em 100% dos
semáforos de dispositivos sonoros que auxiliem as pessoas com deficiência
visual, acompanhada da melhora da acessibilidade urbana em geral – com menos
obstáculos – para circulação das pessoas com deficiência, especialmente física
ou visual;
- fomentar atividades
e ações em sintonia com a Lei 12.587/12, que estabelece uma política nacional
de mobilidade urbana;
- conforme já
colocado no tópico sobre planejamento e acessibilidade, cumprir o disposto no
Decreto Federal 5.296/04 com a oferta de uma frota 100% acessível de ônibus no
transporte público até o final de 2014.
5 –Assistência
Social
- instituir Serviço de
Proteção Social Básica no domicílio para pessoas com deficiência e idosas,
conforme previsto na Tipificação Nacional dos Serviços Socioassitenciais
- fortalecer o
Grupo de Trabalho Intersetorial e Interinstitucional visando a implantação de “Residências
Inclusivas” no município;
- ampliar
o acesso das pessoas com deficiência aos serviços socioassistenciais,
intensificando a busca ativa dos beneficiários do BPC nos territórios.
- fortalecer a
convivência comunitária e familiar;
6 – Trabalho
e emprego
- aperfeiçoamento do
processo de inclusão laboral dos trabalhadores com deficiência cadastrados no Centro de Apoio ao Trabalhador (CPAT);
- aumento da oferta
de cursos de capacitação que possam incluir pessoas com deficiência, ampliando
as chances de ingresso no trabalho;
- apoio institucional
e parceria com os órgãos competentes no sentido de fortalecer a fiscalização e
cumprimento da “Lei de Cotas” (8.213/91), que garante vagas reservadas às
pessoas com deficiência no mercado de trabalho formal.
7
- Esportes
- construção ou
adaptação de ginásio poliesportivo que permita sua utilização por atletas com
deficiência;
- incentivos através
de bolsas e programas de apoio para atletas com deficiência de alto rendimento,
tendo em vista a participação em grandes eventos esportivos;
- capacitação de
profissionais de educação física para o atendimento de alunos com deficiência;
- oferta de
atividades públicas e gratuitas que possam estimular a prática esportiva nas
pessoas com deficiência.
8-
Cultura
- mapeamento da
acessibilidade – ou falta dela – nos espaços culturais do município, como
teatros, museus, cinemas, parques e outros;
- assim como na
esfera esportiva, promover atividades públicas que possam estimular a
realização de práticas artísticas e culturais por pessoas com deficiência;
- valorizar e dar
suporte, também com bolsas e financiamentos, para iniciativas que fomentem a
atividade cultural inclusiva.
Finalmente, como
forma de melhor qualificar e dimensionar todas as intervenções do Poder
Público, a realização de um censo
específico para a identificação e quantificação das pessoas com
deficiência no município de Campinas (projeto este que já está previsto em
legislação municipal).
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Ao assinar este documento, assumo
a responsabilidade de trabalhar para que as diretrizes e demandas nele contidas
sejam alcançadas a partir de minha posse em 1º. De Janeiro de 2013.
__________________________
Candidato X – Partido Y
Campinas, data
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Santos x Corinthians – Crônica (de um chato) sobre o jogo
Faz muito
tempo que assisto aos jogos do Corinthians da mesma forma: em casa, no meu
quarto, deitado na cama e tendo só a Regina como companhia (que geralmente vê o
primeiro tempo, mas dorme no segundo). Às vezes, sinto falta de estar com
amigos (ou “inimigos secadores”), tomando cerveja, comendo amendoim, num bar ou
outro lugar. Mas a gente se acostuma e, na verdade, como torcedor, faz disso
uma espécie de ritual, como se fosse possível se sentir mais seguro ou menos
nervoso por estar repetindo esta rotima.
No jogo de
ontem, não foi diferente. Passei um dia complicado, com dores no corpo mais
fortes do que o habitual. Quis deitar cedo, e às 18h00 já estava na
cama.Fiquei enrolando vendo uns programas de esporte, mas às 19h00 virei para
dormir e relaxar o corpo, pois não poderia ficar na mesma posição até o final
do jogo. Acordei às 21h00, fiquei de frente, subi a cabeceira da cama e me
posicionei como de costume para ver o pré-jogo no Fox Sports.
Como está
dando sorte e não é o Galvão Bueno narrando, pouco antes das 22h00 mudei para a
Globo. Estava tocando o hino nacional e, mais uma vez, fiquei incomodado com o
fato das torcidas ficarem gritando durante o hino (o que se percebe mesmo com a
TV diminuindo o som ambiente). A execução do hino antes de todo e qualquer
evento esportivo, como se faz de uns tempos para cá, na minha opinião, é um
desgaste de um símbolo nacional que deveria ser preservado para algumas
ocasiões. Mas já que tocam, porque não se faz um trabalho junto aos torcedores
para mostrar a importância do respeito ao hino como padrão de civilidade? Bom,
mas isso é outra conversa...
Ao olhar os
jogadores em campo, impossível não fixar a atenção em Neymar, por boas e más
razões. As primeiras porque o cara é um craque, joga muito e fiquei
pensando como seria importante marcá-lo
bem ou que ele jogasse mal (o que acabou acontecendo). Agora, não dava também
para ignorar aquele cabelo. Longe de mim ser preconceituoso, mas que coisa
horrorosa. Quanto tempo ele gastou – e quanto pagou – para deixar a cabeleira
daquele jeito?! Bom, cada um cada, cada
um.
Outra
observação de ordem estética: porque tiraram as listas brancas da camisa preta do
Corinthians? Poxa, esse é o uniforme 2
tradicional, que lembra a conquista do título paulista de 1977 e a quebra do
jejum, dentre outros momentos históricos. Mas não, o time entra todo de preto,
e ainda por cima com uma publicidade nova e enorme na frente da camisa: IVECO.
Que diabos é isso? Descubro agora no Google que é um fabricante de caminhões.
Tá certo, é que sou um saudosista das camisas antigas. E mesmo a do Santos
ontem também estava feia, com patrocínios em tons de laranja e azul sob o
manto branco.
Pensei em
todas essas coisas importantes antes de começar o jogo. Bola rolando. Daqui
para frente, existe gente muito mais competente do que eu para falar sobre a
partida, esquemas táticos, questões técnicas, etc, como o Vitor Birner (http://blogdobirner.virgula.uol.com.br)
ou o Juca Kfouri (http://blogdojuca.uol.com.br/).
A minha
crônica acaba aqui e termina depois da meia-noite, quando pedi para Regina
desligar a TV. Pensei na sorte que tenho de tê-la como esposa, e na felicidade
ser corintiano.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Katia Fonseca
Desculpem,os problemas técnicos continuam, mas o blog volta ao ar para que vocês conheçam minha grande amiga Katinha!
Eu adoro e recomendo seu texto provocativo.
http://katiadoredelicia.blogspot.com.br/2012/04/arte-de-ser-diferente-meu-encontro-com.html
Eu adoro e recomendo seu texto provocativo.
A arte de ser diferente - Meu encontro com o teatro por meio da deficiência
http://katiadoredelicia.blogspot.com.br/2012/04/arte-de-ser-diferente-meu-encontro-com.html
terça-feira, 27 de março de 2012
Fora do ar
Caros (as) amigos (as),
devido a alguns problemas técnicos e dificuldades relatadas por pessoas que acessam o blog, estarei "fora do ar" nos próximos dias tentando achar uma melhor maneira para hospedar o "Três Temas" e interagir com vocês.
Abraços a todos!
devido a alguns problemas técnicos e dificuldades relatadas por pessoas que acessam o blog, estarei "fora do ar" nos próximos dias tentando achar uma melhor maneira para hospedar o "Três Temas" e interagir com vocês.
Abraços a todos!
quarta-feira, 14 de março de 2012
O (mau) “uso” da Deficiência
Eu não assisti, mas me
contaram. Em conversa com uma amiga fiquei sabendo que, no último sábado, o apresentador Luciano Huck exibiu uma
matéria cujo principal personagem era uma pessoa com deficiência, amputado das
duas pernas. Em resumo, depois de mostrar sua história de luta e superação, o
programa oferecia uma “surpresa” ao personagem: suas tão sonhadas próteses!
Todos choram, se emocionam e ficam felizes no sábado à tarde.
Nada contra a ajudar quem
precisa, mas o episódio merece uma reflexão crítica. Na minha opinião, esta
forma de abordar a questão da deficiência reforça uma visão assistencialista,
piedosa e que deveria estar ultrapassada sobre o tema. Além disso é, no mínimo,
questionável a “boa ação” que tem por trás interesses comerciais, estratégias
de marketing, busca de maior audiência ou coisa que o valha.
No imaginário popular,
altamente afetado por programas deste tipo, histórias como esta reforçam
estereótipos culturalmente associados às pessoas com deficiência: somos um
misto de “super-heróis” com “coitadinhos”. A nossa simples existência é “um
exemplo de vida” e, ao mesmo tempo, dependemos da caridade alheia para
sobreviver. Tais marcas ou rótulos dificultam o entendimento daquilo que
deveria ser óbvio: pessoas com deficiência não são, em função desta condição,
melhores ou piores do que as outras; são cidadãos com direitos e deveres, assim
como todos.
Evidentemente que o
personagem agraciado pelo programa se sentiu feliz e contemplado, mas e os
outros milhões de pessoas com deficiência sem acesso a recursos ou equipamentos
básicos? Será que não seria feito melhor uso da televisão – uma concessão
pública – a discussão sobre as razões pelas quais as pessoas com deficiência
encontram tais problemas?
A falta de acesso a uma
prótese, a insuficiência de material para sondagem nos postos de saúde, os
preços abusivos de equipamentos necessários às pessoas com deficiência, entre
outros problemas, não podem ser repetidamente apresentados como questões individuais,
resolvidos por meio de boa vontade alheia.
E, no caso em questão, esta
“boa vontade” precisa ser qualificada, pois não se trata de uma ação de
caridade anônima, desprovida de interesses particulares. Vamos ser claros: do
apresentador à empresa que doou a prótese, passando pelos patrocinadores do
programa, todos ganham com a exposição da história de superação e recompensa do
nosso personagem com deficiência.
Como coloquei no início, não
assisti ao programa, não sei detalhes da matéria e espero não estar cometendo
injustiças. Seja como for, não quis deixar passar em branco esta reflexão
porque, costumeiramente, a imprensa – por meio de seus jornalistas,
apresentadores e reportes – “usa” a condição da deficiência para insuflar
sentimentalismos, emoções e similares...o que, em geral, dá boa audiência, não
é mesmo?
--------------------------------------------
Obs.: No próximo texto, retomo o tema do acesso ao trabalho das pessoas com deficiência para tratar da questão dos rendimentos.
sexta-feira, 9 de março de 2012
Panorama recente da inclusão das pessoas com deficiência no mercado formal de trabalho no Brasil (1)
Esse texto faz um breve resumo de um artigo que
escrevi sobre o quatro atual de inclusão das pessoas com deficiência no mercado
de trabalho. Não traz nada de novo, mas reorganiza os dados da Relação Anual
de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que a
partir de 2007 passou a divulgar o número e o perfil dos vínculos empregatícios
exercidos por pessoas com deficiência.
Este exercício – no qual simplesmente apurei a média
dos valores encontrados nos anos de 2007, 2008, 2009 e 2010 – consolida
tendências já observadas por aqueles que estudam e/ou lidam com esta temática.
Antes de apresentar os números, vale sempre lembrar e esclarecer que os dados fornecidos pela RAIS apresentam uma “radiografia” do
total de empregos/vínculos formais exercidos por pessoas com algum tipo de
deficiência num determinado momento do tempo (último dia do ano).
Outra fonte que poderia ser usada são os números das
Superintendências e Gerências Regionais do Trabalho e Emprego que atuam na
fiscalização direta quanto ao cumprimento da “Lei de Cotas”. Os valores
encontrados nessas bases de informação indicam o volume ou “fluxo” de
contratações, ano a ano, das pessoas com deficiência nas empresas com cem ou
mais empregados (obrigadas a cumprir a “Lei de Cotas”). A RAIS, por sua vez,
conforme colocado acima, nos fornece uma “radiografia” do número absoluto (ou
“estoque”) de empregos ocupados por pessoas com deficiência no mercado formal
no conjunto total das empresas (independentemente do seu porte).
A tabela abaixo resume os dados da RAIS nos últimos
quatro anos disponíveis:
Número médio de vínculos formais exercidos por tipo de
deficiência – Brasil – 2007 a
2010
|
Tipo de Deficiência
|
Número de vínculos
|
Participação (%)
|
|
Física
|
169.427
|
53,6
|
|
Auditiva
|
78.004
|
24,7
|
|
Visual
|
13.701
|
4,3
|
|
Intelectual
|
11.999
|
3,8
|
|
Múltipla
|
4.177
|
1,3
|
|
Reabilitados
|
38.581
|
12,2
|
|
Total
|
315.888
|
100,0
|
Neste período, em média,
315 mil postos de trabalho estavam ocupados por pessoas com deficiência ao
final de cada ano. Observa-se, claramente, o predomínio das pessoas com
deficiência física e auditiva – que juntas tem uma participação de 78,3% das
vagas. Por outro lado, há uma sub-representação das pessoas com deficiência
visual e intelectual, que respondem apenas, em conjunto, por 8,1% dos vínculos
formais.
Como já se sabe, há um “padrão
de preferência” em que deficientes visuais (cegos) e pessoas com deficiência
intelectual sofrem mais para conseguir acesso ao mercado de trabalho, cujo
acesso é mais fácil para surdos (deficientes auditivos) e pessoas com
deficiência física. Seria preciso aprofundar as investigações para identificar
os determinantes deste processo, mas a experiência prática daqueles que lidam
cotidianamente com esta temática nos ajuda a entender tal situação.
Ocorre que, infelizmente,
parte dos empresários busca trabalhadores com deficiência em função não de
atributos de qualificação profissional, mas de “mais facilidades” para
incorporação destas pessoas ao ambiente de trabalho. Em outras palavras,
enquanto deficientes auditivos e pessoas com limitações físicas (leves) não
exigem grandes modificações arquitetônicas ou investimento em recursos de
suporte, há resistências para contratação de pessoas com deficiência visual ou
mental/intelectual. Muitos supõem que tais grupos exijam uma ação ou
investimento de grande monta na empresa para lhes proporcionar autonomia no
trabalho, o que não corresponde à realidade.
É verdade que essa hipótese
poderia ser melhor confirmada se fosse possível distinguir dentre aqueles com
deficiência física os cadeirantes, usuários de órtese/prótese, amputados, etc.
Mas, conforme colocado acima, muitas pessoas que trabalham no dia-a-dia com a inclusão
ainda relatam restrições colocadas por empresas em relação a determinados tipo
de deficiência, o que configura uma conduta discriminatória.
No próximo texto,
trataremos da questão dos rendimentos auferidos pelas (poucas) pessoas com
deficiência que conseguem acessar o mercado de trabalho formal no Brasil.
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